Em todos os relacionamentos de casal existe uma certa desconfiança quanto a possibilidade de traição. Quando ocorre, representa um evento crítico porque incorpora uma série complexa de motivações e significados referentes ao relacionamento do indivíduo e do casal.

Uma das prerrogativas essenciais da traição é que, apesar de ser consumida por apenas um dos dois parceiros, se configura como um evento que diz respeito ao casal como um todo, quebrando um dos pilares básicos de um relacionamento, a confiança.

Os tipos de traição são bem diversificados, dependendo de cada cultura ou geração, assim como os motivos específicos que levam o parceiro a trair.

 

Traição virtual

A procura de um parceiro pelo ambiente virtual pode se configurar como uma fuga do parceiro real e permite satisfazer necessidades emocionais relacionadas com dificuldades de compreensão e comunicação, não necessariamente sexuais.

O ambiente virtual favorece a desinibição emocional, aliviando o confronto face a face que, em muitos casos, representa o verdadeiro obstáculo nas relações de casal que não conseguem se comunicar adequadamente, não se entendem e mantêm uma distância emocional significativa.

 

Traição sexual

Em grande parte dos casos, principalmente quando a traição é feita por homens, se configura como busca por experiências sexuais e afetivas mais intensas e desinibidas.

Essa demanda se justifica no distanciamento emocional que impede os dois parceiros de expressarem abertamente a insatisfação, temendo que isso comprometa a estabilidade do casal ou mesmo coloque em xeque o próprio relacionamento.

A busca pela satisfação sexual com parceiros ocasionais ou mesmo habituais se mostra uma fuga emocional da relação conjugal, mas, ao mesmo tempo, é a própria traição que o mantém viva a relação.

Infelizmente, manifestar sentimentos de insatisfação ou frustração ao parceiro pode ameaçar o próprio relacionamento ou colocá-lo em crise, principalmente quando as partes não tem habilidade de se expressar. Então, a opção pela traição concede ao sujeito a ilusão de que está salvaguardado, e que pode satisfazer suas deficiências emocionais.

Esse tipo de traição costuma ser motivado por um medo profundo de perder o companheiro e/ou a união com ele, mesmo que conflituosa ou insatisfatória.

 

Traição por Insegurança pessoal

A procura frequente de parceiros pode surgir de uma necessidade de se sentir desejado, de forma física, emocional e sexual. Talvez por um vazio interior que foi gerado na infância, relacionado ao relacionamento com os pais ou até mesmo rejeições quanto a sua autoimagem, pelos outros e por ele mesmo.

Se esse mecanismo de insegurança pessoal persistir, o sujeito terá indefinidamente a necessidade de estar sempre buscando um parceiro novo e diferente, gerando um ciclo vicioso, o qual compromete seus relacionamentos afetivos.

 

Traição por Interferência familiar

Algo pouco observado, mas que ocorre com frequência, é a traição por interferência familiar. Isso acontece porque um ou ambos os parceiros ainda não conseguiram realizar o processo de separação e identificação das figuras parentais, ou seja, eles ainda se percebem como parte da família de origem e, portanto, não podem preparar um espaço mental e psicológico para constituir a aliança e a intimidade do casal.

Esse tipo de situação provoca uma separação entre os parceiros que podem perceber sentimentos conflitantes como competição com os parentes intrometidos, frustração com o parceiro e solidão, ficando o casal com um papel secundário em relação à família de origem.

A interferência familiar também acaba impactando em decisões como casamento, filhos e outros pontos essenciais para o evoluir da relação.

 

Traição por sobreposição do Papel Parental

Se o papel de genitor se tornar o modo exclusivo de relacionamento com o parceiro, pode representar um obstáculo à aliança do casal.

Isso pode ocorrer, por exemplo, quando uma mulher se torna mãe. O nascimento de um filho polariza, para ele, filho, naturalmente e inevitavelmente as energias da mãe, e se o casal não tiver uma boa aliança, pode representar um motivo de distanciamento emocional.

A parceira pode induzir no novo pai uma sensação de abandono e solidão, a ponto de forçá-lo a buscar aceitação emocional em outras mulheres que estão mais disponíveis, emocional e sexualmente.

 

Considerações

Existem diferentes tipos de traição, mas que se unem por uma única causa que se configura tanto como fator desencadeador quanto como fator de manutenção: a falta comunicação ou comunicação inadequada entre os parceiros.

A falta de comunicação efetiva do casal pode alimentar mal entendidos sobre as reais motivações que norteiam o comportamento do parceiro, sensação de solidão por se distanciar emocionalmente e frustração por não expressar livremente o que se sente.

Em uma situação de traição, pode ser útil, antes de tudo, tentar um confronto e, se for difícil, pedir apoio de um psicólogo que os ajude. Dessa forma podem dar um sentido mais amplo para o ocorrido, e principalmente, elaborar a traição e criar um nova aliança de casal, mais forte e consciente.

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